Capítulo no livro “Maços na Gaveta”

abril 6, 2010

No dia 17 de setembro de 2009 foi lançado na Bienal Internacional do livro, no Rio de Janeiro, o livro Maços na Gaveta, organizado pela historiadora Beatriz Kushnir. No livro há um capítulo meu intitulado “Campo jornalístico, campo da saúde e racionalidades políticas a partir do estudo de caso de um intelectual-jornalista”, no qual eu analiso a posição do médico brasileiro Dráuzio Varella a partir de seus artigos como colunista no diário Folha de São Paulo.

Varella tem função de médico e jornalista ao mesmo tempo: ele atravessa o discurso biomédico por um modo de dizer objetivo e direto do jornalista – muitas vezes despreocupado com a autoria de quem diz através dele – e ‘lúdico’ e ‘brincalhão’, por vezes sarcástico, de suposto ‘educador em saúde para as massas’. Enquanto intelectual-jornalista o médico ratifica certa ‘ordem estabelecida’: ele sempre fala segundo um ponto de vista radicalmente evolucionista.

Maços na Gaveta reúne análises sobre os Media e é composto por 15 artigos. Seu propórito é divulgar as inúmeras reflexões que não conseguem chegar ao público leitor. Por isto o livro ter recebido esse título. A iniciativa foi fruto do circuito de trocas que o Seminário Temático “História e Comunicação”, coordeno por Beatriz na Anpuh, proporcionou nestes cinco anos de existência.

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Publicação de artigo

dezembro 10, 2008

Este mês foi publicado um artigo meu no periódico eletrônico da Obercom (OBS*).
Chama-se Comunicação, medicina e evolucionismo: estudo de caso dos media brasileiros

Abaixo, o resumo em português e em inglês e o link para o artigo.

Comunicação, medicina e evolucionismo: estudo de caso dos media brasileiros

Resumo

O objectivo deste trabalho é discutir acerca da noção de intelectual-jornalista no campo científico a partir de um estudo de caso dos media brasileiros. Com este conceito, Bourdieu se referia ao papel dos críticos e avaliadores que julgam produtos culturais diversos e lhes dão maior ou menor evidência nos veículos de comunicação. Contudo, o termo parece não restringir-se ao campo de produção cultural e, no Brasil, pode ser observado também na área biomédica. No caso em estudo, Dráuzio Varella tem função de médico e jornalista ao mesmo tempo. Enquanto médico-jornalista, ele reveste-se de seu direito de expressão, mediática e cientificamente reconhecido, e, no entanto, faz uso de um discurso não científico, repleto de metáforas, certezas e juízos de valor, ou seja, cientificamente desqualificado, mas, ainda assim, estatutário. A importância de Varella deu-se no meu doutorado em pesquisa sobre o nexo obesidade/pobreza no jornal brasileiro “Folha de São Paulo”. Enquanto intelectual-jornalista, o médico ratifica certa ‘ordem estabelecida’: ele sempre fala segundo um ponto de vista radicalmente evolucionista. No âmbito da obesidade/pobreza, seu discurso enfatiza a noção de obesidade como anacronismo biológico e conduz à naturalização e medicalização da pobreza, na medida em que também aponta para a noção de darwinismo social.

Communication, medicine and evolucionism: case study from Brazilian newspaper

Abstract

This work discuss about the notion of intellectual-journalist in the scientific field in a case study from Brazilian newspaper. With this concept, Bourdieu refers to the role of critics and evaluators judging cultural products and giving them more or less evidence in mass media communication. However, the term does not seem to be restricted to the field of cultural production and, in Brazil, can be seen also in the biomedical area. In the case under study, Dráuzio Varella plays the role of doctor and journalist at the same time. While doctor-journalist he has the right of expression journalistic and scientifically recognized, and yet he makes use of a not scientific discourse, full of metaphors, certainties and judgments, i.e. scientifically disqualified, but nevertheless statutory. The importance of Varella appeared on my doctoral study about obesity/poverty nexus in the Brazilian newspaper “Folha de São Paulo”. As intellectual-journalist, the doctor ratifies certain ‘established order’: he always speaks in a radically evolucionist point of view. As part of the obesity/poverty, his speech emphasizes the notion of obesity as biological anachronism and leads to naturalization and medicalization of poverty, in that it also points to the concept of social darwinism.


Sobre o poder dos media

abril 15, 2008

Entrevista com o pesquisador brasileiro Denis de Moraes, retirada do Observatório da Imprensa.

Mudanças na cultura midiática latino-americana

Por IHU Online em 8/4/2008
Reproduzido da IHU Online, revista eletrônica do Instituto Humanitas Unisinos, 2/4/2008

As provocantes mudanças na cultura midiática latino-americana e a relação da comunicação e governos são tratadas nesta entrevista. “Essas modificações que começam a aparecer no cenário latino-americano se devem basicamente à ação de governos progressistas”, diz Dênis de Moraes, doutor em Comunicação e Cultura.

Que a cultura midiática latino-americana está mudando, não há dúvidas. Mas é preciso salientar que há mudanças extremamente significativas acontecendo, enquanto que, em outros países, a mudança ainda é tímida. “Essas modificações que começam a aparecer no cenário latino-americano se devem basicamente à ação de governos progressistas, particularmente os governos da aliança bolivariana das Américas: Venezuela, Equador e Bolívia, que entendem que a comunicação é uma questão estratégica para o desenvolvimento social e econômico e têm procurado interferir mais no sistema midiático, no sentido de aumentar a variedade dos conteúdos e das fontes emissoras”, diz o professor Dênis de Moraes. Ele fala ainda sobre a relação entre comunicação e governabilidade, crise das indústrias e conselhos de comunicação. A conversa foi realizada por telefone.

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Inflação mundial e pobreza

abril 9, 2008

A seguir reprodução de matéria do jornalista brasileiro Luiz Carlos Azenha e divulgada em seu blog, vi o mundo.

No Paraguai e no Haiti, onda de inflação torna comida menos acessível

CATADOR DE PAPEL COM OS DOIS FILHOS E VIZINHOS, EM FAVELA QUE FICA ATRÁS DO PRÉDIO ANTIGO DO CONGRESSO, BEM NO CENTRO DE ASSUNÇÃO. ELE SUSTENTA A FAMÍLIA COM O EQUIVALENTE A 300 REAIS POR MÊS. (Foto de Luiz Carlos Azenha)SÃO PAULO – Há alguns dias publiquei um texto sobre um fenômeno que ainda não chegou às manchetes pelo fato de que envolve só os mais pobres dos países mais pobres: a inflação mundial. Testemunhei pessoalmente o fenômeno quando estava no Paraguai e foram divulgadas estatísticas sobre a pobreza no país. Entre 2005 e 2007 o percentual de pobres no Paraguai caiu de 38,5% da população total para 35,6%. Porém, o número de miseráveis cresceu. Existem, hoje, 1.172.274 miseráveis no Paraguai, o que é uma enormidade considerando que a população do país é de cerca de 6 milhões de pessoas. E ainda é preciso “descontar” os 500 mil que são exilados econômicos na Argentina e na Espanha.

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Auto-imagem de moradores das favelas

abril 6, 2008

A Central Única de Favelas (CUFA) encomendou uma pesquisa ao Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS) de modo a saber o que pensam os moradores das favelas sobre:

  • auto-imagem do morador da favela;
  • diagnóstico sobre as suas condições de vida;
  • opiniões sobre as principais políticas públicas;
  • identificação das manifestações culturais da favela e
  • opiniões a respeito de temas conjunturais.

O resultado da pesquisa ficou pronto em março de 2008.

Sobre os media, os moradores responderam acerca do que pensam sobre o modo como os media cobrem os fatos sobre as favelas. Para 65.4% dos entrevistados a cobertura que a Imprensa faz dos acontecimentos na favela é sensacionalista, pois distorce os fatos e usa de preconceitos.

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Análise da grande imprensa, por Renato Pompeu

março 27, 2008

Renato Pompeu questiona as razões mercadológicas da grande imprensa

Por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA

Renato Pompeu sabe do que está falando: com 47 anos de profissão, e passagem pelos meios de comunicação mais influentes do Brasil, ele viveu boas histórias. Suas críticas à mídia são fundamentadas na sua experiência pessoal. Além de ter trabalhado a vida toda em redações, é filho e irmão de jornalistas; seu pai era o renomado Paulo Pompeu.

Uma dessas histórias, exemplos de como funciona a grande mídia, ocorreu há 30 anos atrás. Pompeu era editor-assistente de medicina da revista Veja, e viu uma reportagem que escreveu sobre acupuntura – prática ainda desconhecida no país – ser reduzida ao espaço de uma coluna. Ele escolheu falar sobre um ambulatório do INSS em Recife, que oferecia acupuntura aos pacientes, fato incomum apurado durante a produção da reportagem.

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Episódio Nassif/Veja e o campo jornalístico virado pelo avesso: mas quem vê isso?

fevereiro 27, 2008

Artigo também publicado no Observatório da Imprensa

Para tentar compreender o que pode fazer um jornalista, é preciso ter no espírito uma série de parâmetros: de um lado a posição do órgão de imprensa no qual ele se encontra […] no campo jornalístico; em segundo sua própria posição no espaço de seu jornal ou de sua emissora.
Pierre Bourdieu

Há tempos que, em sala de aula, eu mostrava aos calouros de jornalismo que não há um limite claro entre o fato e a opinião. Mas esta discussão não é mérito meu. Em qualquer excerto retirado dos jornais e revistas brasileiros, isto fica muito claro. Principalmente se o analisarmos no contexto da página em que está inserido, combinado com títulos, subtítulos, imagens, legendas etc. Perguntava-me se não seria isto óbvio. O olhar de espanto de muitos estudantes dizia-me que não. Continue lendo »