Media e alimentação

Qual a distancia entre uma teoria e a vida cotidiana? Quais são os limites entre uma investigação científica e o pensamento do homem comum? Como uma teoria torna-se uma ação no campo político?

Abaixo podemos ver certa correspondência entre a teoria do efeito dos media e uma ação, de caráter legal ou jurídico, levada a cabo na França.

Efeitos dos media e comportamento alimentar

No que se refere aos estudos que se questionam acerca da relação entre os meios de comunicação e o comportamento alimentar, é necessário destacar que por trás do modo como se realizam esses questionamentos há sempre as teorias da comunicação que lhes servem de base. Tais teorias figuram como maneiras de pensar a dinâmica comunicacional humana, estabelecendo os pressupostos básicos para a análise da relação media-comportamentos.

É assim que na pergunta do pesquisador a respeito dos efeitos dos media ou de seu impacto sobre o comportamento alimentar, está subjacente uma reflexão que pressupõe uma visão linear da comunicação humana, de neutralidade das instâncias “emissora” e “receptora”. Por serem lineares, os principais modelos que dão base a esta corrente foram os que surgiram nas décadas de 1930 e 40: (a) comportamentais do tipo estímulo/resposta e (b) informacionais, segundo o modelo da Teoria da Informação de Shannon. Para Shannon, o problema da comunicação consiste em “reproduzir em um ponto dado, de maneira exata ou aproximativa, uma mensagem selecionada em outro ponto” (apud MATTELART & MATTELART, História das teorias da comunicação, 2001, p. 58). Ele cria o já bem conhecido modelo emissor-mensagem-receptor e ruído.

Estas visões conduzem à idéia de que o comportamento alimentar do indivíduo se expressa como reação ao que/como algo se torna público através dos meios de comunicação massa. Portanto, quando se trata de mudar hábitos e práticas alimentares, as possíveis políticas decorrentes desta perspectiva podem aparecer como: proibições para que não se veicule tal ou tal conteúdo considerado prejudicial; produtos de comunicação informativos e educativos a respeito do que é correto comer ou de como se alimentar “bem”; campanhas específicas visando a superexposição de certas informações; estratégias de persuasão para modificar atitudes consideradas inadequadas e mensuração de sua eficácia a partir das mudanças que lhe são atribuídas etc.

Neste sentido, vejamos a notícia abaixo acerca de lei lançada na França.

FRANÇA

Lei pode punir quem incita a anorexia

do Observatório da Imprensa

em 17/4/2008

A Câmara dos Deputados da França aprovou na terça-feira (15/4) um projeto de lei contra a promoção da anorexia, tornando ilegal incitar publicamente o excesso de magreza, encorajar a perda severa de peso e métodos para passar fome. O objetivo é combater sítios de propaganda “pró-anorexia” que, em geral, apóiam a anorexia como estilo de vida, em vez de tratá-la como um problema de saúde. Nestes sítios, a doença é “personificada” sob o codinome “Ana”. Nos EUA, blogs e fóruns que tratam do tema cresceram desde 2000 e, na França, ao longo dos últimos dois anos. Neles, há dicas de como passar por fome extrema comendo apenas um iogurte por dia, ou como esconder a perda excessiva de peso de médicos e familiares.

A lei, que deverá passar pelo Senado no próximo mês, permitirá que juizes prendam e multem em até 30 mil euros aqueles considerados culpados de incitar outros a serem magros em nível excessivo. Se a vítima morrer, o culpado corre o risco de ficar três anos na prisão e a pagar multa de 45 mil euros.

Na semana passada, políticos franceses, líderes da indústria da moda e anunciantes assinaram um código de conduta voluntário com o objetivo de promover imagens de corpos saudáveis. A ministra da Saúde, Roselyne Bachelot, acredita que a lei permitirá um debate público maior sobre anorexia, problema que, estima-se, afeta de 30 mil a 40 mil pessoas na França. Já opositores dizem que a lei é muito vaga na definição de “extrema magreza” e ao descrever quem poderia ser punido por promovê-la. Informações de Angelique Chrisafis [The Guardian, 16/4/08].

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