Reflexões a partir da V Sopcom

Eu ainda não havia comentado aqui no blog, mas a V Sopcom foi bem interessante. Para mim, em especial, pela primeira vez vi um número significativo de trabalhos e comentários de pesquisadores na direcção daquilo que tenho discutido nos últimos anos.

Como eu já havia dito, fui ao congresso apara apresentar dois trabalhos. Um deles, Comunicação, medicina e evolucionismo: estudo de caso dos media brasileiros, foi apresentado na mesa Comunicação e Ciência, coordenada pela Dra. Anabela Carvalho (Universidade do Minho) e pelo Dr. José Azevedo (Universidade do Porto).
Infelizmente, nem todos que estavam inscritos neste tema se apresentaram. Para além disso, viu-se que a área de comunicação e ciência em Portugal, tal como no Brasil, parece despertar menos interesse do que deveria entre os pesquisadores das Ciências da Comunicação. O número reduzido da audiência, de inscritos – comparativamente a outras sessões temáticas inflacionadas – e de faltas nos leva a pensar sobre esta questão.

Um dos pontos principais acerca deste problema parece relacionar-se com a pouca presença e até, por vezes, total ausência da temática nos programas dos cursos de formação, graduações ou licenciaturas, em comunicação social. Isto não quer dizer que não haja demanda do mercado por jornalistas no campo da ciência. Nem que haja desinteresse por parte dos estudantes nos cursos superiores. Tive exemplo disto quando ministrei um curso de Jornalismo Científico em uma faculdade privada no Rio de Janeiro. Além dos alunos terem demonstrado interesse pelo tema, uma das alunas acabou por conseguir um estágio no sector.

Vejo, porém, que, a displicência dos cursos de formação de comunicadores acerca das relações entre a ciência e a comunicação parece ser um reflexo da grande dificuldade que o cidadão comum, não cientista, tem em avaliar os meandros do campo científico, assim como as implicações do que os pesquisadores fazem sobre o cotidiano deste mesmo cidadão. Isto significa que, desde o próprio bolso do contribuinte até as tomadas de decisões no campo político, o universo científico em geral parece escapar à maioria dos cidadãos, incluindo jornalistas formados ou em formação.

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